A ruptura do ligamento cruzado cranial (LCC) é uma das lesões ortopédicas mais comuns em cães. Reconhecer os sinais cedo evita progressão para artrose e ruptura do joelho do outro lado.
Cão começa a mancar de repente após pulo, corrida ou movimento brusco. Geralmente um único membro posterior afetado.
Anda em três patas, mantendo a perna lesionada suspensa. Sinal clássico de dor aguda no joelho.
Chora, rosna ou se esquiva ao ser tocado no joelho. Resiste a flexão ou extensão da articulação.
Edema (inchaço) na região da articulação do joelho. Pode aparecer horas ou dias após o trauma inicial.
Senta com o membro esticado para o lado, evitando dobrar o joelho lesionado. Não consegue sentar reto.
Após semanas, a musculatura da coxa lesionada fica visivelmente mais fina que a do outro lado. Sinal de inatividade crônica.
O ligamento cruzado cranial (LCC) é uma estrutura interna do joelho do cão que estabiliza a articulação durante o movimento. Quando se rompe — total ou parcialmente — o joelho fica instável, gerando dor intensa, inflamação e perda da função.
Diferente do que muitos tutores imaginam, a maioria das rupturas de LCC em cães não é causada por um único trauma. É um processo degenerativo crônico: o ligamento vai enfraquecendo ao longo do tempo até que um movimento qualquer cause a ruptura final. Por isso, em até 50% dos casos, o joelho do outro lado também rompe em 1-2 anos se não houver intervenção preventiva.
A fisioterapia veterinária é fundamental em todos os cenários: como tratamento conservador para rupturas parciais e cães pequenos, como preparação pré-cirúrgica para a TPLO/TTA, e principalmente como reabilitação pós-cirúrgica — etapa que determina se o cão vai voltar a correr ou ficar com sequela permanente.
Importante: A cirurgia (TPLO, TTA ou extracapsular) é apenas metade do tratamento. Sem fisioterapia pós-operatória estruturada, a recuperação fica incompleta — o cão pode voltar a usar a pata, mas com atrofia muscular, rigidez e risco aumentado de artrose precoce.
Ruptura Parcial:tratamento conservador com fisioterapia pode ser suficiente, especialmente em cães pequenos.
Ruptura Total: geralmente requer cirurgia — TPLO ou TTA são as técnicas mais indicadas para cães de médio e grande porte.
Pós-TPLO (Osteotomia Niveladora do Platô Tibial): fisioterapia intensiva é obrigatória para reabilitação completa.
Pós-TTA (Avanço da Tuberosidade Tibial): protocolo semelhante à TPLO, com foco em fortalecimento muscular precoce.
Pós-Extracapsular: técnica menos invasiva, mais comum em cães pequenos — requer fisio para garantir cicatrização correta.
Cães grandes, atléticos e com sobrepeso continuam sendo os mais associados à ruptura de ligamento cruzado — mas casos em cães pequenos vêm crescendo significativamente nos últimos anos, especialmente em raças com tendência a obesidade ou alterações ortopédicas. Muitos tutores são pegos de surpresa por não imaginarem que o pet de pequeno porte também corre esse risco. Independente do tamanho do seu cão, atenção aos sinais e fortalecimento muscular fazem toda a diferença.
Combinamos múltiplas terapias em cada sessão para reduzir inflamação, controlar dor e reconstruir a musculatura da coxa — fundamental para estabilizar o joelho.
Laser terapêutico de baixa intensidade aplicado na articulação do joelho. Ação anti-inflamatória e analgésica intensa nos primeiros dias pós-cirurgia ou trauma. Acelera cicatrização tecidual sem efeitos colaterais.
Estimulação elétrica funcional para ativação de músculos que o cão não consegue contrair adequadamente. Protocolo de 10 minutos por sessão para fortalecimento direcionado.
Exercícios controlados de fortalecimento, equilíbrio e coordenação. Bolas terapêuticas, pranchas de equilíbrio, discos proprioceptivos e faixas de resistência.
A água reduz o peso sobre as articulações em até 90%, permitindo exercício seguro e eficaz. Esteira aquática com temperatura controlada — o recurso mais importante para cães displásicos.
Ozônio medicinal com potente ação anti-inflamatória e analgésica. Melhora a oxigenação tecidual e acelera processos regenerativos. Controle de dor sem medicamentos.
Acupuntura combinada com fisioterapia para controle de dor crônica da displasia, permitindo redução de anti-inflamatórios.
Não existe protocolo único. Cada caso é avaliado individualmente — porte, peso, idade, tipo de ruptura e nível de atividade definem a melhor estratégia.
Exame ortopédico e fisioterápico completo: teste de gaveta cranial, sinal de compressão tibial, mensuração de coxa e análise dos exames de imagem (raio-x, ressonância). Definição do protocolo individualizado.
Sessões combinadas com hidroterapia, cinesioterapia, laser, eletroterapia e ozonioterapia. Frequência: 2-3x/semana. Duração da sessão: aproximadamente 50-60 minutos. Adaptado à fase de recuperação.
Reavaliação mensal para medir evolução: mensuração comparativa da coxa, amplitude articular, marcha e funcionalidade. Ajuste de protocolo conforme resposta. Orientação para exercícios em casa.
Após alta funcional, sessões de manutenção (1-2x/mês) para preservar massa muscular e prevenir ruptura do outro joelho. Acompanhamento contínuo da qualidade de vida e nível de atividade.

Do pós-operatório ao retorno completo.
Reabilitação pós-TPLO é uma das áreas em que mais nos especializamos. Recebemos cães logo após a cirurgia — ainda mancando, com a coxa atrofiada — e acompanhamos cada fase até voltarem a correr, pular e brincar como antes. Nossa equipe trabalha em parceria com os ortopedistas e cirurgiões da região, garantindo continuidade entre a cirurgia e a reabilitação.
Combinamos hidroterapia em esteira aquática (recurso essencial pra controlar peso sobre o joelho recém-operado), estimulação elétrica do quadríceps, laser, exercícios funcionais e acupuntura num único protocolo coordenado. O resultado: tempo de recuperação reduzido, retorno funcional completo e prevenção da ruptura do outro joelho — que acontece em até 50% dos casos quando não há reabilitação adequada.
Você vai receber clareza sobre cada fase do tratamento, reavaliações frequentes pra acompanhar o progresso, e a confiança de saber que seu cão está em mãos que entendem exatamente o que ele precisa pra voltar a ser ele mesmo.
Depende. Cães pequenos (até 15kg) com ruptura parcial frequentemente respondem muito bem ao tratamento conservador com fisioterapia, controle de peso e tempo de recuperação. Já cães de médio e grande porte com ruptura total geralmente precisam de cirurgia (TPLO ou TTA) para retomar atividade completa. Mesmo nesses casos, a fisioterapia é essencial antes e depois do procedimento. Traga os exames do seu cão para uma avaliação honesta sobre qual abordagem é a mais indicada..
Com fisioterapia bem feita, a maioria dos cães está caminhando sem mancar entre 6-8 semanas, voltando a correr entre 12-16 semanas e retornando a atividade plena (incluindo agility ou esportes) entre 4-6 meses. Sem fisioterapia estruturada, esse tempo dobra e o resultado funcional fica significativamente pior — com risco de atrofia permanente do quadríceps.
Em casos selecionados, sim. Cães pequenos com ruptura parcial, cães idosos com risco cirúrgico elevado e tutores que optam por tratamento conservador podem ter excelentes resultados com fisioterapia + perda de peso + restrição de atividade. Para cães grandes e atletas, no entanto, a cirurgia tende a oferecer melhor função a longo prazo. A decisão sempre é individualizada — fazemos a avaliação e damos uma orientação honesta.
Idealmente entre 7 e 10 dias após a cirurgia, assim que a ferida está cicatrizando bem. Quanto mais cedo, melhor — começamos com manejo de dor, controle de edema e mobilização passiva. As primeiras semanas são focadas em prevenir atrofia muscular. Tutores que esperam 30-60 dias para começar a fisioterapia perdem a janela mais importante de recuperação.
Para reabilitação pós-TPLO ou TTA, o protocolo padrão é de 24 a 36 sessões em 3-4 meses (frequência variável de 3x/semana no início para 1x/semana ao final). Em casos conservadores, geralmente 18-24 sessões em 12 semanas. Após o protocolo principal, recomendamos manutenção mensal por mais 3-6 meses para consolidar resultados e prevenir lesão do outro joelho.
Sim, especialmente raças como Poodle, Yorkshire, Bichon Frisé e cães obesos. Em cães pequenos, a abordagem mais comum é tratamento conservador com fisioterapia, controle rigoroso de peso e suplementação. Quando há indicação cirúrgica, geralmente é técnica extracapsular (mais simples e adequada para o porte). A recuperação tende a ser muito boa com fisioterapia bem conduzida.